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A uro-tomografia é uma aplicação relativamente nova da tomografia computadorizada que sur-giu devido as recentes melhoras no "hardware" e "software" dos equipamentos dotados de múltiplos detectores ("CT-multislice").
A motivação para realizarmos a uro-tomografia é o desejo de criar um único
método de imagem que possibilite uma completa avaliação dos rins e do trato urinário, ou seja, que possibilite uma avaliação por inteiro do parênquima renal e do urotélio.
Por intermédio deste exame obtemos uma melhor avaliação da urolitía-se
,
d
as m
assas renais incluindo as pequenas lesões e das lesões da mu-cosa de todo o trato urinário. Além disto, podemos detectar com preci-são a eventual presença de patologias extra-urinárias existentes no abdo-me ou na pelve. Muito embora não exista ainda uma padronização téc-nica para a sua realização, os resultados preliminares aliados ao contínuo aperfeiçoamento da técnica,têm permitido o diagnóstico, inclusive, de le-sões uroteliais muito pequenas até
então de difícil detecção radiológica. Outra vantagem adicional é a possibilidade
de realizarmos um adequado estadiamento radiológico das lesões tumorais detectadas.
A uro-tomografia por apresentar maior sensibilidade diagnóstica (89% versus 43-64%),
tem substituído com grande vantagem a urografia ex-cretora na detecção de tumores parenquimatosos renais, litíases e das lesões do trato urinário . Como se sabe, a tomografia convencional das vias urinárias é bastante limitada na detecção dos
tumores uroteliais, pois detecta apenas 50-63% dos tumores das vias excretoras e do ure-ter, falhando frequentemente na detecção das lesões pequenas.
A uro-tomografia é um exame realizado em três fases distintas: uma fase sem contraste en-dovenoso (para detectar cálculos, hidronefrose e lesões parenquimatosas); uma fase nefrográfica, 90 segundos após o início da injeção endovenosa do contraste para detectar lesões pa-renquimatosas) e uma terceira fase, a fase ex-cretora. Esta fase excretora, obtida cerca de 10 minutos após o contras-te, é realizada para avaliar toda a extensão do urotélio desde o sistema pielocalicinal até a bexiga. Obtemos também, rotineiramente, imagens reformatadas de alta resolução, bi e tridimensionais (Fig. 1).
As principais indicações da uro-tomografia são: a) investigação da he-matúria macro ou microscópica; b) avaliação da hidronefrose; c) avali-ação das fístulas urinárias (Fig. 2), traumatismo renal e derivações uri-nárias e d) no planejamento da cirurgia conservadora laparoscópica.
Numa recente revisão de 231 uro-tomografias realizadas no Hospital Vera Cruz, Campinas, São Paulo, em pacientes com hematúria macro ou microscópica foi pos- sível a detecção de 37 tumores uroteliais. Importante observar a distri-buição dos tumores no trato urinário e a oferta deste método na detecção dos tumores multifocais (tumores uroteliais sincrônicos) (Quadro 1).
Uma análise criteriosa de todas as imagens obtidas no plano axial, utilizando-se para tal uma "janela óssea" é de fundamental importância para a detecção dos pequenos tumores uroteliais do sistema pielocalicinal e do ureter, tu-mores estes que passavam até então, despercebidos, com o uso da téc-nica de CT convencional (Fig. 3). A avaliação complementar pela endos-copia virtual tem mostrado utilidade adicional no plane jamento da cirurgia endoscópica conservadora dos peque nos tumores uroteliais (Figs. 4 e 5)
Além das lesões tumorais parenquimatosas e uroteliais, a urotomografia é um método excelente para detectar anomalias urinárias congênitas, uroli-tíase, lesões vasculares e anormalidades e tumores vesicais ( Fig. 6). De-tecção incidental de tumores hepáticos primários e secundários, metásta-ses lindonodais, dissecção e aneurisma de aorta, tumores adrenais e retroperitoneais, não são infrequentes.
Não temos dúvida que a uro-tomografia tem potencial para substituir completamente e com vantagens a urografia excretora. Ultimamente, nós uro-radiologistas, temos feito grande esforço no sentido de otimizar os protocolos de exame com o intuito de superar uma das grandes limi-tações da uro-tomografia que é em relação a dose de radiação efetiva.  Como se sabe a dose de radiação efetiva para a urografia excretora é estimada em 10-12 mSv, enquanto que na uro-tomografia não otimizada é estimada em 11-25 mSv. Ao aperfeiçoarmos o protocolo investigação re-duzindo o número de fases, o valor da miliampedragem e a extensão da área a ser examinada, podemos reduzir esta dose para os aceitáveis 12-15 mSv. Devemos sempre considerar qu  e ao realizarmos a uro-tomogra-fia estamos na maioria das vezes evi-tando que o paciente seja submetido a radiação somatória recebida por inter-médio da radiografia simples, da uro-grafia excretora e da tomografia computadorizada conven-cional. Além disto, devemos considerar o custo desnecessário de todos estes procedi-mentos que serão substituídos pelo custo de apenas um único exame.
Autor: Dr. Adilson Prando – Chefe do Departamento de Radiologia do Hospital Vera Cruz, Campina, SP
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